Há pelo menos 30 anos que Porto Alegre sonha com um aproveitamento melhor da beleza natural que é o Guaíba e sua orla. Muitos projetos foram apresentados nesse período tentando harmonizar os interesses da população, o desenvolvimento de novos empreendimentos turísticos e a valorização do patrimônio ambiental de que Porto Alegre dispõe.
Em 1977, Jorge Debiagi desenvolveu para a extinta construtora Maguefa o projeto da Unidade Urbanística Praia de Belas, que previa uma série de construções numa grande área compreendida entre as avenidas Borges de Medeiros, Praia de Belas, Ipiranga e rua Barbedo. Na época em que o Parque Marinha do Brasil ainda não existia, o projeto já previa um grande shopping center no local onde 14 anos depois seria erguido o Praia de Belas.
Com a falência da construtora, boa parte do projeto não foi cumprido.Uma década depois, em 1986, Debiagi apresenta ao prefeito Alceu Collares o Projeto Praia do Guaíba, que seria o primeiro projeto de parceria público-privado, porque propunha a permuta de áreas públicas por investimentos de infra-estrutura. O plano previa a urbanização dos cerca de 5 km que separam a curva do Estaleiro Só da Usina do Gasômetro.

O projeto sofreu fortes reações dos partidos de oposição e do movimento ambientalista da época. A avenida Beira-Rio foi uma das poucas coisas que restaram daquele projeto. Ainda durante a administração de Alceu Collares, em 1988, o então secretário do Planejamento Municipal, Newton Baggio, coordenou a elaboração do Projeto Cais do Porto, que propunha dar um novo uso para área dos armazéns.
Entre as novidades pretendidas pelo projeto estava a construção de uma passagem de nível para a avenida Mauá na altura do pórtico central do porto, sobre a qual seria construído um boulevard. Esse foi mais um projeto que afundou por falta de apoio político. Agora, enquanto se encaminha mais uma tentativa de revitalização do porto por meio do projeto Cais Mauá, o arquiteto Jorge Debiagi apresentou ao prefeito José Fogaça o Projeto Pontal do Estaleiro, que pretende desenvolver empreendimento imobiliário na área arrematada em leilão pela empresa SVB Participações. O projeto, que já sendo avaliado pela prefeitura, prevê a construção de uma esplanada de 2,1 ha, uma nova rua com 20 metros, edifícios residenciais, bares, restaurantes, escritórios e flats.
[...] Revitalização do Cais do Porto – 30 anos de espera [...]