O Projeto de Revitalização do Cais do Mauá avançou bastante desde que uma comissão foi criada em abril de 2005 pelo governo do Estado e Prefeitura de Porto Alegre, como objetivo de estudar alternativas de uso para área e encaminhar os trâmites para dar nova vida ao antigo porto da capital.
A comissão, presidida pelo atual diretor de Desenvolvimento e Marketing da CaixaRS, Edemar Tutikian, contou com a participação de técnicos de diversas secretarias e órgãos do Estado e do Município e já realizou todos os levantamentos das áreas disponíveis, fez a planta da área a ser revitalizada, cadastrou os imóveis existentes no local e os registrou no patrimônio do Estado, desocupou todos os armazéns e prédios do porto e igualmente já elaborou a proposta para o Plano Diretor que está em discussão na Câmara de Vereadores.
Agora o projeto passa para uma nova fase – no dia 1º de outubro 6 empresas privadas em participar da modelagem do Projeto Cais Mauá entregaram os planos de trabalho para a modernização da área urbana do porto da Capital. As empresas de consultoria, Business Consulting Group, Moreira & Associados – Auditores, Magna – MAC, Equipe Porto Alegre – Cais Mauá, Andrade Gutierrez e Odebrecht e Beck de Souza Engenharia Ltda. se apresentaram para desenvolver, sem qualquer ônus para o Estado e Município, um projeto de sustentabilidade para a área dos 3 mil metros do Cais Mauá e mais a área de 300 metros que vai do fim do cais até a Usina do Gasômetro.
O resultado final sairá em janeiro e servirá de base para o edital que o governo publicará até meados do ano que vem para escolha da empresa que vai administrar o empreendimento. A idéia é dar concessão para que uma empresa, ou um consórcio de empresas, venham a administrar o empreendimento como um todo, abrindo espaços comerciais, culturais e de lazer que poderão ser explorados diretamente ou repassados a terceiros.

Ou seja, é a iniciativa privada que vai dizer o que pode funcionar naquele local de forma sustentável. É certo que se forem colocados apenas bares e restaurantes no porto, isso por si só não se sustenta, é preciso estabelecer um fluxo de pessoas e um conjunto de atividades culturais e econômicas que garantam vida à região. Esse trabalho de modelagem, que tem como prazo de conclusão o mês de março de 2008, deverá seguir algumas linhas mestras traçadas pela Comissão, como, por exemplo, respeitar os tombamentos históricos e o meio ambiente, além de definir espaços para atividades culturais.
A crítica mais freqüente que se faz sobre os motivos pelos quais até hoje, após 30 anos de projetos engavetados, nada tenha sido feito no local é a de que faltou vontade política dos governos do Estado. Nunca se seteve tão perto de ver uma solução para esse impasse histórico, afinal, dessa vez, Estado e Município, por meio da governadora Yeda Crusius e do prefeito José Fogaça, estão de acordo em buscar a revitalização do Cais Mauá, como uma prioridade de governo. E, igualmente, estão convencidos de que é preciso primeiro estabelecer um modelo econômico de utilização e exploração da área, para então definir os projetos de arquitetura.